Impressões e Expressões
Nas relações interpessoais, prestamos atenção aos aspectos que sobressaem das pessoas. A altura, o peso, a cor da pele, a mirada, a expressão facial, o movimento, a voz, sinais de domínio social, etc. Com essa informação, construímos mapas de categorias sociais, porque temos necessidade de compreender as situações. Por isso, construímos opiniões e actuamos com base numa breve análise. É um impulso inconsciente e natural, mas que corre o risco de não ser real..
Apesar de ser livre e não gostar de verdades absolutas, e sobretudo não temer mudanças de opinião, não esqueço o meu presente assente num passado, que faz de mim o que sou hoje. Surgem-me duvidas. Desoriento-me e isso traz-me insegurança. Ansiedade e descontentamento. Prefiro pisar terreno seguro, estar convicta dos pensamentos que justificam as minhas acções. Também sei que arriscar é o primeiro passo para avançar e construir, e que “quem não arrisca não petisca!”. Mas gosto de ponderar, medir consequências. Tudo isso requer um tempo. Tempo para reflectir e esperar que o pó que anda no ar, assente.
Esse impasse, é a altura ideal para ir de viagem com a minha super nave espacial. Preparo o saco para não ter hora de regresso, e aí vou eu.. Mãos no volante e pé a fundo no acelerador. Ainda não descolei e já estou com a adrenalina. Desta vez o destino não é um planeta distante, mas uma praia algures no mediterrâneo. Onde o mar está calmo e sereno, e me deixa depositar incertezas... Onde estou acompanhada e sozinha ao mesmo tempo.
A caminho, invade-me uma euforia, de estar quase a chegar ao paraíso.. Mal aterro, mergulho o corpo na areia e paro o olhar no horizonte durante uns minutos. Entre milhares de pessoas consigo estar só. Que liberdade! Desfrutar do autêntico espectáculo da diversidade de corpos que passeiam à minha frente..
Passam horas e mais horas, e nenhuma conclusão. Apenas ideias soltas lançadas ao mar. Depois, um anjo vindo do oriente, brinda-me uma massagem que descomprime toda a tensão. Entrego-me àquelas mãos sábias e delicio-me de prazer. Que maravilha..! Depois, bem mais tranquila e farta já de tanta calmaria, resolvo abandonar a praia.
Programo de novo a super nave espacial: “Propera parada: parque da cidade”! O verde da erva fresca e o canto das centenas de pássaros que lá habitam, despertam-me a vontade de dançar.. Não sei explicar porquê.. estou contente e ponto final. Agora apetece-me mover para renovar energias. Ouvir musica ritmada, melódica e desconhecida.
De repente, encontro um grupo que dança tango e nesse mesmo instante percebi que melhor, impossível. Entro sem saber dançar, e passo quase três horas a aprender. Conheço muita gente. Divirto-me com as pisadelas e cruzadas de pernas. Invento o meu próprio estilo. Riu-me muito e com vontade de rir a sério, sobretudo de mim mesma!
Oh! A nostalgia passou.. e onde está a confusão..?!
De regresso a casa cansada e com um sorriso permanente nos lábios, que posso eu fazer senão dar-me um bom banho até acabar com a água quente?! Foi então que percebi o alivio que sentia.. Não tinha fome, mas muita sede de voltar ao mundo outra vez...